Like my short film "Celeste"

Thursday, August 11, 2011

Realizador

É o que tenho sido nos últimos meses.

A "Celeste" tem ocupado a minha vida quase a tempo inteiro desde Maio/Junho. Lembram-se que eu vos tinha falado que tinha acabado de escrever uma curta em Abril. Já lá vai muito tempo e ainda estou a trabalhar nela.

Tenho estado a dirigir malta. Nas últimas semanas tenho enviado o filme para festivais, como um "work in progress." Levou um mix de som assim bruto e efeitos visuais também temporários e música só como exemplo. Mas agora o compositor Matt, que trabalhou em filmes como os últimos Bond, Sucker Punch, etc, aceitou fazer a música do filme e já vamos na terceira fase de revisões. O Matt é brilhante, rapidíssimo e super profissional. Ah! E coitado, só acabou de vir de digressão com a Bjork, uma das minhas artistas preferidas. A parte melhor é mesmo trocar as minhas ideias com o Matt e receber sugestões e comentários porreiros que tornam o filme melhor.

Eu devo confessar, ao princípio foi muito difícil deixar a música que estava no corte inicial (que o Matt tinha composto para outro filme e que eu usei, porque sempre tinha a fisgada que ele escrevesse a banda sonora). É comum acontecer o que chamamos na indústria de "demo love." "Demo" é o nome que se dá a música temporária ou a versões-rascunho. Mas depois de ver o filme várias vezes com a música do Matt já consigo ter as mesmas sensações. Hoje foi um momento crucial, porque ao ver a cena final e ouvir com a música linda que ele escreveu consegui comover-me outra vez como dantes. E é ridículo, porque eu escrevi a história com a Joana, realizei e estava presente quando a cena foi filmada e mesmo assim consigo auto-comover-me?? É um grande elogio á performance da Joana, que está absolutamente brilhante. Ela vai longe!

Na semana passada finalmente concretizei o meu sonho de ir á Technicolor com o meu filme! Não sei se se lembram desde Março que estava com a Technicolor na cabeça. Foi por causa do "Winter's Bone." Vi o filme e o making of e descobri que tinha sido filmado com a RED e o colorista era da Technicolor, de seu nome Tim. Meses depois, lá estava eu sentado ao lado do Tim, onde o Woody Allen, Steven Soderbergh, Darren Aronofsky e o lendário Robert Altman, entre outros, se sentaram e colaboraram com ele. Eu!?

Sim, eu. Porque não? Foi esta atitude que eu tive desde o início, que é uma atitude muito new-yorker. Why not? Ah, também algo Kennedy-ana: [Some people see things as they are and say "why?" I dream things that never were and say "why not?"]

Continuando, lá estava eu a pedir ao Tim para evidenciar um bocadinho mais os sapatos, por exemplo. Ou, mudar a cor do vestido dela na primeira cena. Já que estava na Technicolor e a primeira cena é assim surreal, eu quis fazer uma homenagem subtil ao tipo de película Technicolor de três tiras (3-strip Technicolor). E ficou bem. Não é exactamente igual ao 3-strip, mas tem um tom surreal com certeza. Trabalhar com o Tim foi um prazer e ele é tão rápido que acabámos uma hora mais cedo, poupando dinheiro aqui ao xô realizadoré. E se eu tinha algumas dúvidas antes em gastar aquela batelada de dinheiro na Technicolor, hoje confirmou-se que foi a melhor coisa que eu já fiz. O filme está lindo! Parece saído de um estúdio de Hollywood.

Aqui sentei-me eu ao lado do Tim na sala de cinema DI na Technicolor

Em relação a som, infelizmente o meu engenheiro de som está cheio de trabalho e parece que vamos ter de trabalhar no fim de semana. Mas eu estive em Newark neste que passou e gravei uma data de sons que já estou a pôr no corte. Temos as gotas de água numa cena que já se via mas não se ouvia. E agora ouvindo-se, ganha uma dimensão que não tinha. E para mim simboliza as lágrimas de Celeste (pois ela sofre em silêncio) e o passar do tempo. Ficou muito bem na cena.

Hoje a seguir ao trabalho fui com o meu colega e amigo Budak falar com a malta dos efeitos visuais a uma casa de VFX aqui, a 2 quarteirões do meu escritório (a Technicolor também fica a 2, mas para cima). O Budak está a tratar do design de um fenómeno que aparece no filme. E na casa de VFX eles são uns bacanos e o "flame artist" (Flame é isto: http://usa.autodesk.com/flame/customers/ Custa 190 mil dólares, só o software e é usado em todos os grandes filmes e anúncios. Alguém quer para os anos?)... O "flame artist" já teve umas ideias óptimas para o fenómeno ter 3 dimensões em vez de ser flat. Ele está entusiasmado e fez o melhor elogio que eu já ouvi, dizendo que nunca tinha visto nada assim num filme!

Eu gosto do que está a acontecer. Estou a trabalhar com grandes talentos, que trabalham com outros grandes talentos também! E pode ser que entrando assim no meio eles mostrem o meu filme a esses grandes talentos e eu seja visto como um grande talento! Ha!

O que eu adoro é que o filme já funcionava e estava um espectáculo desde o primeiro corte em bruto! E agora é todo um longo processo em que estamos a tornar tudo ainda melhor, através do Digital Intermediate na Technicolor, da nova banda sonora espectacular, dos efeitos sonoros e som em Dolby Digital 5.1 e dos efeitos visuais fora de série!

Está-me a custar pagar este empréstimo para o filme, mas acredito que a longo prazo foi o melhor investimento que eu alguma vez fiz.

3 comments:

CatarinaLucasMendes said...

Like it!!! :)
Can't wait to see it!! :) Vai ser um sucesso!!
Grande Beijnho

Cuca Bleck said...

Gosto de ver o teu empenho e dedicação. Já não te "ouvia" falar assim de um projecto há muito tempo!! Alias, com tanta paixão acho que esta é a primeira vez ;)

Xuxi said...

i wish you the best, BTW para quando uma estreia em Newark?