Tuesday, November 30, 2010
Psycho
Devia ter uns 12, 13 anos quando comprei o Psycho em VHS pela internet (muito á frente). Infelizmente veio dos Estados Unidos e era em NTSC e não PAL, por isso não tocava no vídeo lá de casa. No entanto, o meu irmão Pablo - que trabalhava numa produtora de cinema - ofereceu-se para pedir a alguém no trabalho para transferir a cassete para PAL. A cassete nunca mais foi vista. Por mim, pelo menos...
Passados uns anos, de visita a Paris, provavelmente a seguir a uma passagem pelo Louvre, a família parou numa Fnac (também muito á frente). Pai, mãe e irmã foram aos livros e eu procurava avidamente uma cópia do Psycho. Paris tinha o mesmo sistema PAL, deveria funcionar. Comprei a cassete e sem conseguir esperar por chegar a Portugal - tal era o desejo de ver este mítico filme - fui directo ao quarto com vídeo assim que chegámos das compras a casa do meu tio Francisco. Com a torre Eiffel como testemunha a espreitar pela janela, meti a cassete no vídeo, meio ás escondidas, como se fosse um filme porno. Ouvem-se uns barulhos de mecanismos internos do vídeo, mas nada. Não apareceu imagem. E de repente ouve-se um barulho de fita a enrolar-se. Para meu grande desgosto, não seria desta vez que ia conseguir ver o Psycho.
Finalmente de volta a Portugal, mandámos a cassete estragada a arranjar. Estava determinado a acabar esta odisseia comigo de sorriso de orelha a orelha a ver finalmente o que parecia um filme amaldiçoado. A cassete voltou arranjada e não se perdeu nem um bocadinho do filme.
O filme chocou-me. Não é normal vermos um filme em que a personagem principal morre nos primeiros 20 minutos, deixando o público orfão e nas mãos de um assassino. Ainda hoje penso na música do grande Bernard Herrman e dos planos parados e flutuantes do início, dos cortes rápidos da cena do duche e dos planos apertados da limpeza da cena do crime.
Hoje chegou pela Amazon o Blu-ray do Psycho (sim, sim, eu sou muito á frente). Em alta definição, ou seja, com 4 vezes mais resolução que a cópia da cassete e com som Dolby Digital 5.1 recriado por cromos sonoros franceses, com 6 vezes mais canais do que a banda sonora original em mono. Mono? O Hitchcock ficaria orgulhoso. Adorava avanços tecnológicos no cinema, como o Stereo no filme Pássaros.
Ouvindo uma gravação de uma entrevista do Truffaut ao mestre do suspense, Hitchcock confessa que o que o marcou com o Psycho foi o facto do filme ter mexido com o público. Não a história, não o acting, não as personagens, mas o aspecto técnico do filme mexeu com o público. Ritmos de planos, determinados ângulos e sequências chocaram multidões por todo o mundo.
Aconselho a todos os que não compraram um leitor Blu-ray e têm uma televisão de alta definição que o façam assim que puderem. O formato de filme é um formato que quando scanado se pode ampliar para tamanhos ainda maiores que a nossa actual alta definição. Mas com cada upgrade de tecnologia vamos ser capazes de ver mais e mais detalhes em filmes que foram feitos antes de termos sequer nascido.
É bom ter ídolos para copiar e com quem aprender. Tantos copiaram Hitchcock. Alguns dos meus favoritos, como Spielberg e Scorcese, entre outros. E não tenho vergonha de dizer que já copiei Hitchcock numa das minhas curtas-metragens, o Paranoia.
E espero copiar muito mais!
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